quarta-feira, 20 de maio de 2009

O TREM DA DISCÓRDIA

O trem, ou comboio, puxado pela máquina a vapor teve uma importância enorme nos últimos duzentos anos da história da humanidade. Ele foi sem dúvida o elemento mais importante da Revolução Industrial, permitindo a deslocação das matérias primas para as fábricas rápida e eficazmente e levando os produtos acabados a pessoas, a regiões distantes e aos países onde eram mais necessários.

Foram os comboios que ligaram populações, regiões, países e continentes que até aí estavam completamente isolados ou onde poderia se demorar semanas ou meses para fazer uma simples comunicação entre si;

Ao redor das estações ferroviárias, nasceram e cresceram vilas e cidades, onde até aí, nada existia; a construção das linhas férreas empregou milhares de pessoas de cidades, regiões e
até de países diferentes, contribuindo assim para aproximar diferentes povos e culturas.

O mesmo trem trouxe também o turismo, cultura, esporte, cidadania e empregos...mas hoje traz barulho, trasnstorno e tragédias. A máquina do progresso, se tornou a máquina do interesse privado, corporativo, passando de heroina a vilã.

Os moradores de Cataguases não aguentam mais o barulho da buzina de manhã, tarde, e à noite e madrugada, impondo a sua preferência do trânsito sobre pedestres e outros veículos e... causando acidentes e mortes.

Inexplicavelente, a empresa executora dos serviços de transporte de bauxita em nossa cidade – a FCA – exime-se, inclusive, da responsabilidade do arremate das obras de manutenção da via férrea, deixando verdadeiras crateras no espaço público. Afinal, de quem é a responsabilidade pelas obras espalhadas ao longo dos bairros e avenidas pela cidade? A quem cabe o dever de fechar os buracos, transformados em verdadeiras armadilhas ao pedestres e veículos urbanos?

Questionado pelo vereador Vanderlei Pequeno, o executivo municipal, através de sua Procuradoria, respondeu que nem a mineradora, nem a empresa transportadora pagam vintém pelo minério ou pelo tráfego de locomotivas e vagões no espaço público de Cataguases. Comilões pagam, ambulantes pagam, empresas comerciais pagam, jornaleiros pagam, todo mundo paga, menos as empresas que ajudam a exaurir nossas riquezas regionais.

Além do questionamento do Vereador Vanderlei Pequeno, outras perguntas precisam ser respondidas.

Qual será a conseqüência dessas exploração desatinada de minério em nossa região? Como se explica o assoreamento dos rios que despejou sobre nossos quintais lama, muita lama, toneladas de lama? Qual será o resultado em nossas terras, em termos de erosão, em termos de degradação da paisagem e da vida aquática? Qual o teor de alumínio em nossas águas? Qual é o impacto sócio econômico da exploração desenfreada de nossas riquezas? Como a natureza, com sua dinâmica própria, irá reagir – ou já reage - a essa agressão sem medidas?

Temos poucos problemas ambientais? Por aqui não há enchentes? Não há acidentes de derramamento de lixívia sobre nossos rios? Não aparecemos na mídia mundial com imagens de tragédias que afogam sobre a lama os munícipes da região de Miraí?

A indiferença dos capitalistas da exploração de minérios em nossa região beira o escárnio com todos nós. Como se nada estivesse acontecendo, esses monstros de ferro que hoje atravessam nossas ruas, subjugam o poder público exaurem nossas riquezas e deixam apenas um rastro sobre todos nós: o do sentimento de indignação.

Ontem, alegres Marias Fumaças chegavam eufóricas em nossas estações, trazendo almas ansiosas para povar a cidade e construir uma pequena civilização; hoje fica-nos a tristeza de saber-nos mais pobres e desrespeitados, menos dignos de consideração e respeito pelos donos do Capital explorador da baixita.

Tudo sob os gritos lancinantes de uma terrível buzina!

2 comentários:

Cinagraph disse...

Se utilizamos uma "simples maquina do tempo", nossa memória é claro, podemos notar que no passado o TREM causou medo, uma grande fera de ferro que fazia um barrulho e gospia fumaça por onde passava, fazia a terra tremer e espantava não só os animais como a nós mesmos.
O tempo foi passando o descaso , um mau que atinge principalmente o aquilo que não gera um lucro imediato, tomou conta dessa máquina maravilhosa, e depois de uma malha ferroviária sucatiada, trilhos em péssimo estado e acidentes constantes, podemos disser que ainda tem gente que tem medo deste "TREM DE DOIDO".

Net Noticias
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Meg disse...

Meu Caro:
Gosto muito de ver um jovem com tanta iniciativa social, de opinião política, que lembra a juventude da minha geração do final dos anos setenta e início dos oitenta, quando, cá em Portugal, apresentávamos uma intervenção, infelizmente há 2 décadas perdidas...
Hoje a gente nova é consumista, acomodada, pouco interventiva.
Gosto da tua garra!Do teu protesto, do teu esquerdismo na tua alma.
Continua!
Vou passando por aqui.
Beijão
Meg