sexta-feira, 18 de setembro de 2009

COLETA SELETIVA E CIDADANIA.














O lixo vem se transformando numa preocupação crescente nos últimos anos. Milhões de toneladas de lixo são produzidos e despejados no planeta todos os dias. Esse acúmulo de resíduos no meio ambiente se transformou no grande problema de saúde pública, social e cultural. O enfrentamento desse problema, sem dúvida alguma, passa pela implementação da coleta seletiva. Antes de entrarmos no assunto, devemos saber o motivo desse acúmulo.

A “febre” do consumo, a cada dia ganha mais força. Afinal é ele, o consumismo, a mola propulsora do mundo atual. Ser feliz é consumir mais, acessar “lançamentos”, bens mais “atualizados”, entrar na corrida alucinada às prateleiras dos supermercados. Empresas concorrentes disputam dia-a-dia novos mercados com novos-velhos produtos. A embalagem é mais importante que o conteúdo que, quase sempre, é igual ao descartado pela nova campanha de mídia. Esse consumismo desenfreado faz com que empresas fabriquem mais produtos do que o mercado possa consumir. Produtos velhos e a sobra do mercado, muitas das vezes não são reaproveitados, acabam indo para o lixo.


Esse acúmulo de lixo é totalmente prejudicial à saúde, tendo em vista que cria condições para o aparecimento de doenças graves como a dengue, leptospirose e outras que aparecem com mais freqüência no período chuvoso. Doenças que podem levar a morte. A maioria dos municípios utiliza-se da tradicional coleta, encaminhado todos os detritos recolhidos para lixões. Nesses depósitos, os objetos recolhidos não recebem nenhum tipo de tratamento, e como conseqüência surgem os problemas ambientais e de saúde. Exposto a céu aberto, os lixões servem como criadouro de ratos, baratas, mosquitos, todos de grande capacidade reprodutiva e possíveis vetores de doenças. Outro sério problema causado pelos lixões é a possibilidade de contaminação do solo e do lençol freático.

Os Planos Diretores aprovados pelos municípios incluem em seu texto a obrigatoriedade de criações de políticas que levem à extinção dos lixões, via coleta seletiva e tratamento do lixo. Exigem também a construção de aterros sanitários, depósitos onde são descartados resíduos sólidos provenientes de residências, indústrias, hospitais e construções. Esses aterros sanitários receberão os materiais não recicláveis e não passíveis de tratamento.

É preciso um pacto social para resolver o grave problema do lixo. Apenas o aterro sanitário não resolve, afinal, o acúmulo ainda é grande, por isso a necessidade da contribuição de toda sociedade. Esse acordo deve ser alicerçado na política dos quatros “R”. Os princípios dessa política são: Redução no consumo e no desperdício, Reutilização de produtos, Reciclagem de materiais e Repensar, afinal nem tudo é lixo. E a implementação da Coleta Seletiva é a ferramenta fundamental a se utilizar na implementação dessa política.

Coleta Seletiva é uma forma de reciclagem de lixo que separa o lixo orgânico dos descartados, para que sejam reaproveitados, visando à redução do acúmulo do lixo, separando materiais recicláveis como papéis, plásticos, metais, vidros, dos orgânicos. Esses materias recolhidos representam mais de 40% do lixo doméstico, que depois de reciclados voltam novamente para o consumo, evitando o desgaste ambiental.

Com a proposta de coleta seletiva, surgem as usinas de Reciclagem, Associações e Cooperativas de tratamento do lixo. Essas organizações são formadas por catadores, que devido à importância de seu trabalho voltado para o meio ambiente, deixam de ser simples mão de obra barata, transformando-se em agentes ambientais. Por conta disso devem ser apoiados incondicionalmente pelo setor público. São, na verdade, entes de utilidade pública.

Já existem centenas de pequenas cooperativas de catadores de material reciclável no país. Gente que, ao observar que a sociedade tende a transformar dinheiro em lixo, optou por transformar o lixo em dinheiro. Com o produto de seu trabalho, os cooperados além de ajudar o meio ambiente, ajudam também o país a gerar emprego e renda. A reciclagem virou meio de sobrevivência de milhares de famílias nesse país. Transformam o lixo em luxo.

A sociedade tem um papel fundamental na coleta seletiva, que é o pilar que sustenta as cooperativas, associações e Usinas. Cabe à comunidade separar os materiais recicláveis em suas próprias residências, condomínios, locais de trabalho, escolas e clubes. Por outro lado, cabe ao município fazer a sua parte, oferecendo serviços de coleta. Em municípios mais organizados, esses materiais recolhidos podem ser coletados via porta a porta, por veículos coletores que percorrem as residências em dias e horários específicos que não coincidam com a coleta normal. Podem também ser entregues em Postos de Entrega Voluntária, em locais próprios, além das lixeiras específicas, contêineres ou pequenos depósitos, colocados em pontos físicos no município.

A coleta seletiva é a melhor forma de contribuir para a reciclagem do lixo, é uma campanha para salvar o mundo. Mais que isso, é um exemplo de exercício da cidadania. Além de manter a cidade mais limpa, contribui para a preservação do meio ambiente e para a própria sobrevivência do ser humano. Pense nisso, faça sua parte, participe dessa campanha.

2 comentários:

Paulo Lucio disse...

Para quem não sabe, em nossa cidade existe duas cooperativa de tratamento de lixo.

ASCATAGE - que fica na Taquara Preta, em frente ao tiro de guerra, no terreno da Energisa.

ECOCATA - que fica no Instituto Chica, no Galpão da Fábrica Velha.

As duas recolhem lixos recicláveis e fazem campanhas, como por exemplo o recolhimento de óleo de cozinha, onde todas as escolas da rede pública funcinam como ponto de recolhimento, que depois repassam para os catadores.

Empresas, condomínios, prédios e outros já colocaram em prática a coleta seletiva. Para isso basta ajuntar e procurá-los, podendo entregar em seus galpões ou solicitar o recolhimento no local.

Faça sua parte, contribua. Ajude a salvar o mundo.

Wilma Capella disse...

Obrigada pela informação Paulo Lúcio. Minha neta já apresentou um trabalho na Feira de Ciências do Equipe e eu fiquei entusiasmada ,mas não coloquei nada que aprendi em prática. Vou procurar a ECOCATA para maiores informações.