quinta-feira, 22 de outubro de 2009

MST e os Laranjas!




Escrevo esse artigo para mostrar o outro lado da moeda, de um fato recente que ganhou toda mídia.

Trata-se de uma manifestação do MST na Fazenda da Cutrale, onde a mídia manipuladora, passa sua versão, como sempre contra o movimento.

A área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas (terras que nunca perteceram a um particular mesmo estando ocupadas), além de 15 mil hectares de terras improdutivas.
A Cutrale é a maior indústria de suco de laranja do mundo. Ela produz certa de 30% de todo suco de laranja produzido na atualidade. O mercado de laranja é dominado por esta empresa que é acusada de formação de cartel e de prejudicar milhares de produtores de laranja.
A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos.

A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS), entre outras.

A empresa também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios. No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão
As laranjas, não poderia ser planta melhor, são a tentativa de justificar o grilo da Cutrale e de outras empresas daquela região. Passar por cima das laranjas é passar por cima do grilo e da corrupção que mantém esta situação há tanto tempo.

Não é a primeira vez que o MST ocupa este latifúndio. A Cutrale instalou-se lá há 4 ou 5 anos, sabendo que as terras eram griladas e, portanto, com claro interesse na regularização das terras a seu favor.

A mídia que ataca o MST é mesma que faz questão de não divulgar os maus tratos contra os trabalhadores rurais, que sofre por baixos salários, condições precárias e expulsões de agricultores locais.
Vale lembrar que em São Paulo existe uma lei que permite à Cutrale e a outras empresas do ramo invadir a casa de qualquer cidadão para cortar os pés de laranja e limão que estes por ventura tenham em suas casas. Segundo a lei, isso é feito em nome de uma defesa fitossanitária contra o cancro cítrico, mas é apenas mais uma forma de expropriar o povo de suas riquezas de biodiversidade e alimentos.
A mídia se escandaliza com pés de laranja sendo cortados e não se cansa de passar o mesmo filme do trator no laranjal, porém não deu qualquer notícia de cinco segundos da violência que sofreu a comunidade Apykay, do povo Guarani Kaiowá, que vivia em um acampamento às margens da BR-483, próximo ao município de Dourados, Mato Grosso do Sul, quando jagunços armados queimaram as casas e feriram um indígena a tiros. O episódio só foi para a mídia quatro dias depois do ocorrido, por conta de uma denúncia colocada na rede mundial de computadores por uma ONG internacional - e mesmo assim, não mereceu qualquer destaque, apenas uma breve chamada.

O INCRA, que trava batalha judicial pela área, presta um desfavor à luta do povo quando condena a ocupação deslegitimando a luta em nome de uma estabilidade social e do respeito à propriedade privada. Propriedade esta que não foi respeitada pelos grileiros quando plantaram 1 milhão dé pés de laranja em terras da União. Estabilidade social que mata, escraviza e mutila os trabalhadores da indústria de sucos do interior de São Paulo.
Arrancar pés de laranja para plantar comida não é crime, crime é deixar milhares de hectares de terras públicas na mão de grileiros que plantam para os gringos e para seus animais comerem enquanto nossa população morre de fome: fome de comida e fome de JUSTIÇA.

O MST não luta apenas por terras, luta por uma sociedade mais justa,como divisão de renda, pela reforma agrária, onde as terras improdutivas seja distribuída para aqueles que não tem terra, e nela produzir, além de cobrar para que se respeite as legislações ambientais e trabalhistas.
As terras não devem servir para lucros e mercadoria, mas sim utilizar os recursos naturais para que futuras gerações possam, melhor do que hoje, viver em harmonia com o meio ambiente e sem os graves problemas sociais. Sendo assim entendo que o MST não é um simples movimento que luta por terras, mas sim um reformador social.
O protesto do MST arrancando os pés de laranjas, fez eu voltar no tempo e relembrar o movimento Ludista. No começo da revolução industrial, os operários desempregados, entraram nas fábricas e quebraram as máquinas, pois entendiam que elas tiravam seus empregos.
Nosso "inimigo" não são as máquinas, as mercadorias, as laranjas, mas sim o sistema, o capitalismo neo-liberal.
Porém, ir contra os poderosos, contra o sistema corrupto, você deixa de ser vítima, passando a ser culpado. O crime tem sua própria regra, ir contra é pedir para morrer. Sendo assim, acabam condenando o MST e absolvendo os poderosos.

A mídia fez questão de passar várias vezes as imagens dos pés de laranjas sendo derrubados, como forma de esconder o motivo da ocupação, protegendo os donos da Fazenda e atacando o MST, alegando radicalismo.
Mas do que seria do mundo sem ações radicais. Até mesmo o mais puro dos homens, Jesus Cristo, que pregava o amor, a paz, nos ensinou que, devemos dar a outra face para o tapa. O mito da paz, certo dia entrou no templo e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Uma atitude radial!
Qual diferença da atitude de Cristo para o MST?

Cristo não aceitava o comércio no templo. MST não aceita o comércio na terra. Terra não deve ter apenas um dono, deve ser distribuída, principalmente para aqueles que não têm e delas tiraram seus sustentos, criaram suas famílias.

Enquanto não for feita a reforma agrária continuaremos a ter os sem-terras, os sem-empregos e os sem-futuros. O MST continuará na luta. Não queremos guerras, violências, queremos paz, sonhamos com um futuro melhor, talvez uma utopia, um sonho. E somente lutando que iremos conseguir realizar esse sonho.
Sonhe e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida.

3 comentários:

Wilma Capella disse...

Nãogosto nm de ouvir falar neste MST. Tenho trauma destagente que anda pelas ruas atacando quemnão ten nada com suas lutas.
Quando trabalhei em Brasília, indo parao trabalho meu carro foi atacado por homens,mulkheres e crianças do MST. Com pedaços de pau tentaram quebrar os vidros do carro,além de tentar virar o carro. Foram momentos que ficaram marcados em minha vida e que pareciam ser uma eternidade.

Paulo Lucio disse...

Wilma, primeiramente obrigado por visitar meu blog, em relação a atitude do MST, também sou contra alguns atos, principalmente os que acabam em vandalismo.

Não podemos julgar a instituição por causa de atos de alguns militantes, afinal toda instituição tem seu lado podre, como por exemplo as igrejas, caso todos os dias vemos denuncias de pedofilias e desvio de dinheiro, onde o culpado é quem comente e não a instituição.

O MST é muito importante para o Brasil, afinal é o movimento de reforma social, não podemos ir contra quem que luta por um país melhor, principalmente para os pobres.

Entendo o seu caso, mas como falei, todo instituição tem seu lado pobre, não podemos julgar todo o movimento por causa de meia dúzia.

Wilma Capella disse...

Concordo com você Paulo Lúcio, mas sou muito franca e acho que no caso do MST não úm saco de batata podre que estraga uma carga inteira. Por onde eles passam promovem atos injustificáveis.
Mas a gente tem que entender que cada um usa a arma que possui para lutar.
Um abração.

Gosto do seu blog e vou comentar com meus amigos para que eles também possam escrevera aqui.