terça-feira, 3 de agosto de 2010

Encontro de algozes na Praça Rui Barbosa

Há poucos dias passamos pelo constrangimento de ver o Sindicato dos Professores no Calçadão, em campanha de arrecadação de alimentos, para ajudar os servidores que paralisaram por duas horas as suas atividades. O Movimento apoiava a categoria, trabalhadores do Estado de Minas, que estão recebendo, em alguns casos, menos de um salário mínimo mensal para lecionar.

Isso ocorreu porque o prefeito Willian penalizou os servidores da educação com o corte das horas paradas e o valor total do Vale Alimentação de R$ 120,00. É bom informar que, além de professores, participaram da paralisação Auxiliares de Serviço e Merendeiras, segundo nos informou o Sindicato.

Ontem, segunda-feira, dia 02.10, por volta de 14 horas, ocorreu um encontro político de campanha com a presença do candidato Anastasia, Aécio Neves e outros proporcionais na Praça Rui Barbosa. Era notada na claque a presença de secretários municipais que compõem o Executivo Municipal. Estavam lá, o de Obras, Serviços Urbanos, Indústria e Comércio, entre outros. Isso sem contar o Prefeito Willian e o seu vice. Havia também, uniformizados, empregados de empreiteiras que prestam serviços em outros municípios. Percebia-se os prefeitos, trabalhadores municipais e políticos da região. Repito: às 14 horas de uma segunda-feira.

Era sobejamente notada também a presença de vários agentes comunitários Contratados que, segundo me foi denunciado, foram “convocados” a deixar seus postos de trabalho e rumar para Praça Rui Barbosa. Muitos não sabiam ao certo do que se tratava, mas, por dever de ofício por lá apareceram. A missão, sem dúvida, era ocupar os espaços vazios, pois o candidato ao governo em visita ocupa hoje a segunda colocação no pleito em andamento, bem distante do primeiro nas pesquisas.

Destaco nesse texto as duas situações para demonstrar mais uma contradição do governo Willian. Ao mesmo tempo em que penaliza trabalhadores por suas ações cidadãs – a paralisação dos professores foi feita em solidariedade aos seus iguais, servidores do estado – libera do serviço os seus comandados, sem nenhum desconto em suas remunerações.

Fica o débito do prefeito ao artigo 37 da Constituição Federal que trata da legalidade, da moralidade e da publicidade no setor público brasileiro. Para um governo que se diz moderno e alardeia diuturnamente que veio para mudar, essa prática demonstra como o discurso por aqui não se coaduna com a prática corrente.

Hoje somos governados por um grupo igual aos que se foram em termos de atuação política. Os arautos da pseudo Social Democracia do PSDB que ocupam o paço são conservadores e repetem a mancheias os mesmos erros do passado: contrata trabalhadores temporários para o setor da Saúde; utiliza o jornal oficial para propaganda de seus futuros fornecedores (o caso Copasa); não fiscaliza os Contratos firmados via licitação, especialmente aqueles pactuados para prestação de serviços de transportes da rede escolar, com verbas federais do Fundeb; admite como parceiras empresas conhecidas como péssimas prestadoras de serviços.

Mas, sem dúvida, configura-se um governo diferente... e pior na relação com os trabalhadores. É implacável nas suas decisões administrativas. Para penalizar aqueles que vivem de seus salários, submete a Constituição, lei maior, a uma lei ordinária. É o caso da obrigação constitucional da revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos, prevista também no artigo 37, no inciso X.

Para lastrear e sustentar essas perversidades administrativas, tensiona o sindicato sinalizando que não pretende conceder nenhuma atualização na remuneração dos servidores por conta de suas planilhas, as mesmas onde são calculados os custos com os servidores dispensados do trabalho , para participar do Encontro de algozes na Praça Rui Barbosa.

Reavivar a memória é importante para dar tino às nossas idéias e fortalecer as convicções políticas. Não muito distante no tempo, vimos vários integrantes do atual governo – que sem dúvida não é dos trabalhadores – aninhados nos sindicatos e, em tese, formando fileiras na busca de melhores salários e condições de vida para todos. Hoje estão em campos opostos. O prefeito Willian é o exemplo emblemático desse amortecimento radical de comportamento.

Amortecimento significa “esmorecimento”; “radical” nos remete ao termo raiz. E todos nós sabemos o que reserva o destino às raízes que esmorecem.

VANDERLEI PEQUENO
Vereador do PT Cataguases

Um comentário:

Paulo Lucio disse...

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