quarta-feira, 21 de julho de 2010

Comércio Virtual X Comércio Local

A tecnologia está presente em tudo. É o bem e o mal da humanidade. Vivemos num mundo em que as pessoas não precisam sequer ir a lojas, elas podem simplesmente ligar seu computador e comprar o que quiserem sem sair de casa.

Com as suas invenções, a tecnologia facilita e agiliza os serviços. Esse é o lado bom da tecnologia. O lado ruim desse avanço tecnológico é que a cada novas máquinas, ferramentas ou equipamentos que surge no mercado, boa parte substituem o homem, aumentando o desemprego.

Porém, o homem nunca será totalmente substituído pela máquina, tendo em vista que por traz de uma máquina sempre terá um homem no comando. A cada inovação tecnológica, surgem também novas demandas de trabalho, porém menores do que a do emprego e que exigem conhecimentos técnicos mais avançados.

O avanço tecnológico, através da tecnologia digital vem interferindo na economia. As lojas virtuais vem substituindo os pontos tradicionais de venda e funcionam 24 horas/dia.

Para quem domina esse mercado é um grande negócio, afinal uma loja virtual fica isenta de pagar muitos impostos, além de praticamente não terem despesas com água, aluguel, luz, IPTU, telefone, e com funcionários. É um passo largo na redução da oferta do emprego e da concentração da renda.

Essa é a base do sistema neo-liberal: altos lucros com baixos custos.

Os resultados dessas vendas são comprovados no comércio tradicional. Com a queda no movimento, muitas lojas estão fechando. Em Cataguases, podemos comprovar o resultado desse novo mercado passando em frente aos Correios. Notamos o aumento em sua frota que fica estacionada no entorno de sua sede, na Avenida Astolfo Dutra. Se há algum tempo, um carro dava conta da entrega das encomendas, agora são dois. No total, são 2 Kombis e 4 motos. Além dos Correios, outras empresas trabalham com entrega de mercadorias, inclusive as internacionais, como a FEDEX e a HDL. Não podemos nos esquecer das linhas de ônibus.
O crescimento desse tipo de serviço comprova que os Cataguasenses estão comprando, porém fora de nosso município.
Andando pelas ruas ouvimos os mesmos comentários: ”Cataguases precisa crescer, precisa gerar empregos”. Mas como a cidade vai crescer e gerar empregos se os Cataguasenses não compram no comércio local? A compra pela internet não gera empregos e renda para Cataguases.
A compra pela internet significa um atraso para os trabalhadores, para o comércio local e para o povo. Essas vendas favorecem as grandes empresas, aumentando a concentração de renda e o desemprego(repito) que são dois grandes problemas do Brasil.
Esse artigo tem como finalidade chamar a atenção dos Cataguasenses, principalmente das nossas autoridades e políticos, em especial a Secretaria de Indústria e Comércio. Precisamos realizar de audiência públicas, campanhas e projetos visando solucionar esse problema, que tende a piorar.
Não podemos ficar de braços cruzados. Enquanto nossas autoridades não fazem nada para solucionar esse problema, cabe a nós Cataguasenses fazer nossa parte, comprando e valorizando o comércio local.

4 comentários:

Zé Antonio disse...

Boa Carteirinho. Sempre atento aos problemas de Cataguases.

Ana C Santos disse...

Olá Paulo Lúcio !

acompanho seu blog e claro, li seu artigo sobre intitulado "Comércio Virtual X Comércio Local" , e gostaria de tecer alguns comentário, na certeza de que pessoas como você estão sempre abertas a uma boa discussão.

Seguinte, é fato que o comércio virtual vem "prejudicando" o comércio local, aliás, é mais do que um fato, é uma consequência, consequência do acesso das pessoas aos mesmo produtos por menor preço, consequencia da quebra das barreiras da distância, consequência da modernidade, da velocidade e por que não dizer da maior autonomia em comprar o que se quer e não somente o que se tem à disposição.

Este mundo virtual Paulo, que de alguma forma nos ameaça em nossas estruturas sólidas de sociedade nos faz tão integrados no mundo em uma cidade do interior quanto qualquer morador de capital. Mas não vim aqui para falar de poder de compra ou consumo, vim pra pensar com você sobre esses "empregos locais" que estão ameaçados.

A máquina não vai substituir o homem NUNCA em toda atividade que tiver o elemento HUMANO. Se tiver que pensar, conviver, decidir e principalmente criar, vai "ser humano". O que uma máquina der conta, vai ficar por conta dela, mais cedo ou mais tarde e talvez não consigamos conter isso. Isso já vem acontecendo em muitos países, e chegará até nós, se Deus quiser !

Por que apesar de parecer ameaçador Paulo, na verdade é libertador, por que vai nos tirar de empregos "mecânicos" como diria Chaplin, empregos que nos desgastam fisicamente roubando nosso tempo de sonhar, empregos onde vamos fazer a vida inteira a mesma coisa muitas vezes limitando a imensa potencialidade criativa que cada um de nós tem pra desenvolver.

Com todo respeito ao modelo econômico- estrutural que temos hoje, mas se queremos "sobreviver" com dignidade à evolução, que é inevitável, pensando em nossa Cataguases é preciso pensar primeiro no tipo de empregos que queremos gerar.

forte abraço,
esperando que você tenha tido paciência de ler até o final :)

kk

PS: Mas que fique claro que falando em consumo local, defendo convictamente que compremos nossas verduras e similares no Mercado Produtor ao invés de grande Super mercados, por que aí sim, incentivamos nossos produtores locais além da ausência de agrotóxicos, pelo menos dos mais pesados...

Paulo Lucio disse...

Ana,

Obrigado pelo retorno. Seu comentário foi muito bom, peço a permissão para colocar seu comentário no meu blog, assim outros poderão ter acesso.

Em seu comentário você definiu bem: " na verdade é libertador" e
"é preciso pensar primeiro no tipo de empregos que queremos gerar".

Esses dois comentário me faz lembrar do fim da escravidão. A princípio parecia maravilhoso. Por outro lado, em nenhum momento procuraram colocar os escravos na sociedade, com isso muitos continuaram escravos. Sem uma reforma agrária muitos invadiram terras (atualmente favelas).Não tinham direito a saúde, educação, segurança e por ai vai.

O mesmo acontece hoje. As máquinas substituem os homens, principalmente nos trabalhos pesados. Os desempregados não tem para onde ir.

Com milhares de desempregados novos serviços surgem, algumas com a finalidade de explorar. Um exemplo os revendedores, principalmente no ramo de comésticos.

Empresa milionárias, como a Natura, Avon, Raco, Jequeti, e ect... aproveitam os milhares de desempregados e criam novos serviços, o que eu chamo de serviço informal. Tendo em vista que na minha opinião revendedore não é emprego, mas sim serviço.

Afinal, os revendedores não tem vínculo nenhum com as empresas. Ficando elas isentas de todos os direitos trabalhistas, como salário, INSS, FGTS, férias, 13º, auxílio maternidade, Vale transporte, Ticket refeição, e ect..

Sem contar que, as casas dos revendedores são transformadas em lojas, ficando essas empresas de pagar aluguel, IPTU, luz, água, telefone, ISS, e outros impostos.

Vale destacar que, esse tipo de comércio não permite que empresários e comerciantes entrem nesse mercado, afinal como vão concorrer com milhares de revendedores espalhados por todas as cidade. A única forma de concorrência permetida é da mesma maneira.

Não vou alongar muito, pois esse assunto é materia do meu próximo artigo.

Para finalizar, o problema não são as máquinas e os produtos, mas sim o patrão e o sistema. Mas isso é em todo o mundo, desde capitalista a comunista. O objetivo é grandes lucros com baixo custo.

A solução para diminuir esse problema é como citamos, comprando nos pequenos produtores, diminuindo um pouco a concentração de renda.

Um abraço.

Felipe Dutra disse...

Fala Irmão....

Concordo com quase tudo que foi postado. De fato, as lojas virtuais trazem benefícios e maleficios e todos foram muito bem expostos por você e pelos demais.

O que não concordo é que a tecnologia e o e-commerce sejam fatores de aumento do desemprego, uma vez que, quando você vende mais um determinado produto (no caso do comercio vitual elimina-se o vendedor), mas continuam os analistas de credito, os transportadores (motoristas/entregadores/montadores), e acredito que em número maior do que antes, já que o volume de vendas aumenta muito. Na minha visão o que ocorre é uma transferência dos campos de trabalho (como você mesmo disse, os correios tiveram que direcionar mais um veículo e mais funcionários para tais entregas).

O que precisa, é o poder público e as empresas se atentarem a essa mudança, e promoverem capacitações para a absorvição desses funcionários.

Fato que comprova isso é a atual pesquisa do IBGE que traz uma queda de 7% no Desemprego. Eu não vejo relação entre tecnologia e desemprego, acredito que ele esteja mais ligado a questões de economia, como carga tributária, por exemplo.

SRN